A Janela de Johari e a busca pelo autoconhecimento [feedbacks]
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“A pessoa que não se conhece suficientemente será sempre reativa por não lidar com as emoções envolvidas nas mais simples situações.” – Paulo Gaudêncio “Men at Work”

 

Já ouviu falar na Janela de Johari?

Alguns a chamam de “JANELA DA COMUNICAÇÃO” ou “JANELA DO AUTOCONHECIMENTO”. Ela é uma ferramenta conceitual, criada pelos psicólogos Joseph Luft e Harrington Ingham (1955), que mostra a interação entre nossa autopercepção e a maneira como que os outros nos veem. Tem como objetivo auxiliar na compreensão da comunicação interpessoal e nos relacionamentos em grupo.

Esse modelo pode ser usado no processo de aplicar e receber “feedbacks”, em diferentes ambientes e situações. mas, antes é preciso conhecer o seu próprio repertório, seus filtros, dificuldades e formas singulares de perceber o mundo. Alguns gestores e líderes fazem uso deste método, para oferecer feedbacks mais assertivos e esclarecedores.

 

A JANELA DE JOHARI

A Janela de Johari  permite revelar o grau de lucidez existente nas relações interpessoais – referência a um dado ego -, classificando seus elementos dominantes, em um gráfico de duas entradas (janela): a busca pelo “feedback” versus a “autoexposição”, que subdivide-se em 4 (quatro) áreas:

  1. Área livre, eu aberto ou arena: conhecimento do ego e dos outros;
  2. Área cega, ou eu cego: conhecimento detido pelos outros;
  3. Área secreta, ou eu secreto: zona de conhecimento do ego, que não é compartilhada;
  4. Área inconsciente, ou eu inconsciente: conhecimentos desconhecidos do ego e dos outros.

Esta analogia busca representar a importância do “autofeedback”  para a prática do AUTOCONHECIMENTO e da AUTOGESTÃO, além de possibilitar a compreensão das consequências de termos grandes áreas desconhecidas por nós mesmos e/ou pelos outros.

O que determina o “tamanho” da janela de relacionamento que tem com o outro, é a sua predisposição em  se expor e ouvir o outro, processando e refletindo a respeito da sua opinião e feedback. Agora, para ficar mais claro, entenda o que significa cada área da “janela”:

 

ÁREA LIVRE OU ABERTA

Faz referência ao “eu público” – nesta área encontram-se as experiências e dados conhecidos pela própria pessoa e pelas pessoas que a rodeiam. É a troca livre e aberta de informações. O “eu público” cresce conforme as informações são compartilhadas e a confiança é fortalecida.

Pessoas que possuem essa janela desenvolvida costumam AGIR COM SINCERIDADE e expressam de forma clara suas opiniões e pontos de vista, assim como consideram a posição dos outros e estimulam a TROCA DE INFORMAÇÕES.

PARA REFLETIR: Quais são as minhas características mais marcantes, pelas quais meus amigos e colegas de trabalho me reconhecem  e eu também percebo em mim?

 

ÁREA CEGA OU PONTO CEGO

Nesta área estão as informações a respeito do nosso “eu” que costumamos ignorar, mas que são visíveis para os outros e que os outros não nos contam (ou nos dizem, mas não escutamos). Há quem aponte que nosso senso crítico para com os outros, encontrasse nesta “janela”. No entanto, não somos capazes de perceber que nos comportamos da mesma forma que o outro.

Pessoas que possuem essa “janela” expandida tem dificuldades para notar o IMPACTO NEGATIVO QUE TRANSMITEM aos outros, pois frequentemente dizem o que pensam e sentem, porém não se preocupam com a opinião das outras pessoas, não buscam feedbacks e quando o recebem têm dificuldade em compreendê-lo. Tendem a SUPERVALORIZAR SEU PONTO DE VISTA em detrimento das ideias dos outros e gera sentimentos de hostilidade, insegurança e ressentimentos.

PARA REFLETIR: Quais são as minhas características pessoais, observadas pelas outras pessoas e que eu não havia me dado conta antes que alguém tivesse comentado a respeito?

 

ÁREA SECRETA OU FECHADA

Representa as coisas que sabemos sobre nós, mas que escondemos dos outros. É aquela máscara, o disfarce que criamos para nos ocultar, por puro medo de sermos rejeitados, ou porque desejamos controlar e manipular os outros.

Pessoas com essa “janela” grande mostram-se mais INIBIDOS EM GRUPO, costumam ouvir e buscar informações com atenção. Passam  a imagem de quem está escondendo alguma coisa, CAUSAM DESCONFIANÇA e moldam seu comportamento conforme as expectativas do meio em que se relaciona, ou convive.

PARA REFLETIR: Quais são as suas particularidades, características pessoais que só você conhece e que a maioria das pessoas com quem você convive e trabalha não percebem?

 

ÁREA INCONSCIENTE OU DESCONHECIDA

Nesta “janela” residem coisas desconhecidas, das quais não temos consciência e que os outros também não têm. Algumas coisas, com o aumento de abertura e feedbacks poderão tornar-se de conhecimento do sujeito.

Pessoas com essa “janela” grande” transmitem poucas informações, estabelecem um RELACIONAMENTO MAIS FRIO E IMPESSOAL, com dificuldade em criar empatias e provoca nas pessoas reações de desconfiança.

PARA REFLETIR: Quais serão as minhas características obscuras, que nem eu e nem as outras pessoas conhecemos, mas que existem, pois já me surpreendi assumindo-as em momentos de estresse e grande tensão?

 

Quando estamos em busca do AUTOCONHECIMENTO tendemos a ampliar a “janela aberta”, o “EU PÚBLICO”. Com isso, seremos capazes de estabelecer relações mais saudáveis e desinibidas, com diálogos abertos que inspiram a confiança das pessoas. Com isso, passamos a viver de acordo com o nosso “EU VERDADEIRO”.  

E aí, em qual “janela” você está? Responda as perguntas e descubra! Obrigada e até a próxima 😉

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